domingo, 10 de setembro de 2017

Última carta



Se ela tivesse que escrever a sua última carta, aquela onde a gente se despede e faz um resumo de uma vida toda, ela diria que não há arrependimentos e que se tivesse a oportunidade de viver tudo novamente, o faria da mesma forma, apenas talvez, com um pouco mais de calma. Ela apreciaria mais os momentos em que fora feliz, deixando de lado as preocupações e os medos que lhe assombravam; por vezes, ela deixou de curtir 100% o momento justamente por medo de que ele acabasse, mesmo consciente de nem a alegria e nem a tristeza, durariam para sempre.
Ela diria também que não se arrepende de todas as vezes em que entregou o seu coração a alguém. Ela sabia que tinha acima da média um número de vezes em que seu coração fora partido por alguém, mas, é porque na escola da vida, ela havia faltado em todas as aulas que ensinava sobre a magnífica habilidade de ser frio, não, mesmo com o coração quebrado e colado inúmeras vezes, ela não se arrependia, apenas talvez, teria sido mais cautelosa ao expressar os seus sentimentos, nem todos mereciam de fato recebê-los, ele apenas deveria ter guardado um pouco mais para si aquilo que lhe transbordava.
Enquanto a maioria das pessoas se fechavam quando sofriam, ela estava sempre lá, se doando, se entregando e por vezes, se expondo.


Em sua última carta, ela diria também que não há arrependimentos, apenas lembranças. Boas lembranças.

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

domingo, 27 de agosto de 2017

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Vai ser sempre ela




Vai ser sempre ela, nos sorrisos bobos e nas lágrimas escondidas. Vai ser sempre ela, na noite fria e solitária em um quarto escuro, ou, diante de uma multidão desconhecida. 

Vai ser sempre ela, no olhar enigmático e na timidez.
Vai ser sempre ela, nas pequenas e nas grandes conquistas e principalmente nas derrotas. 

Vai ser sempre ela, no beijo urgente carregado de desejo e saudades, ou no beijo tranquilo repleto de sentimentos e verdades. 

Vai ser sempre ela nas letras de musicas carregadas de significados ou nos parágrafos de uma grande história de amor. 

Vai ser sempre ela, nas histórias que vai contar um dia, na saudade que vai te atormentar e nas lembranças que vão te acalmar. 

Vai ser sempre ela.

Ou ele.

Ou alguém. 

Sempre e para sempre. 


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domingo, 20 de agosto de 2017

Quase

Com as mãos trêmulas, ela buscou o nome dele em sua lista de contatos, leu e pronunciou cada letra do seu nome como se o estivesse chamando silenciosamente, desejando que de alguma forma, ele soubesse o quanto ela sente a sua falta.

Falta das conversas. Falta das brincadeiras. Falta dos sorrisos. Falta de algo que existiu e do que também não existiu. Talvez, nada tenha existido de fato, mas para ela existiu.

A música deles estava tocando no rádio, talvez tenha sido isso que a motivou a desejar falar com ele, da mesma forma que desejou que ele a segura-se pela cintura, como somente ele sabia fazer e a tirasse para dançar a música que era deles, e que nunca dançaram.

Sim, algo existiu.

Caso o contrario eles não teriam uma música, teriam?

Seu coração estava acelerado, ela quase ligou para ele, ela quase escreveu para ele, ela quase...

Mas a vida não é feita de "quases", tampouco é feita de atos impensáveis ou impulsivos. A vida é feita de atitudes pensadas e foi por pensar demais que ela desistiu, fechou o celular e expulsou da mente a ideia insana de procurá-lo.

Ela sempre odiou despedias e sempre as evitou, mas pela primeira vez, sentiu falta de uma. Quando existe despedida, existe um ponto final, que passa a ser o ponto de partida para seguir em frente, seja para pegar um avião e cair no mundo, para um relacionamento ou um projeto. Enquanto não há despedida, não há ponto. E se não há ponto final, não há término, há apenas a inércia da dúvida, o limbo escuro das incertezas.

Ela queria que pelo menos tivesse havido uma despedida, um "até um dia", na pior das hipóteses, um adeus.

Ele partiu e junto, partiu seu coração.


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quarta-feira, 16 de agosto de 2017

É preciso ir embora


É preciso ir embora.
Ir embora é importante para que você entenda que você não é tão importante assim, que a vida segue, com ou sem você por perto. Pessoas nascem, morrem, casam, separam e resolvem os problemas que antes você acreditava só você resolver. É chocante e libertador – ninguém precisa de você pra seguir vivendo. Nem sua mãe, nem seu pai, nem seu ex-patrão, nem sua pegada, nem ninguém. Parece besteira, mas a maioria de nós tem uma noção bem distorcida da importância do próprio umbigo – novidade para quem sofre deste mal: ninguém é insubstituível ou imprescindível. Lide com isso.
É preciso ir embora.
Ir embora é importante para que você veja que você é muito importante sim! Seja por 2 minutos, seja por 2 anos, quem sente sua falta não sente menos ou mais porque você foi embora – apenas sente por mais tempo! O sentimento não muda. Algumas pessoas nunca vão esquecer do seu aniversario, você estando aqui ou na Austrália. Esse papo de “que saudades de você, vamos nos ver uma hora” é politicagem. Quem sente sua falta vai sempre sentir e agir. E não se preocupe, pois o filtro é natural. Vai ter sempre aquele seleto e especial grupo que vai terminar a frase “Que saudade de você…” com “por isso tô te mandando esse áudio”; ou “porque tá tocando a nossa música” ou “então comprei uma passagem” ou ainda “desce agora que tô passando aí”.
Então vá embora. Vá embora do trabalho que te atormenta. Daquela relação que você sabe não vai dar certo. Vá embora “da galera” que está presente quando convém. Vá embora da casa dos teus pais. Do teu país. Da sala. Vá embora. Por minutos, por anos ou pra vida. Se ausente, nem que seja pra encontrar com você mesmo. Quanto voltar – e se voltar – vai ver as coisas de outra perspectiva, lá de cima do avião.
As desculpas e pré-ocupações sempre vão existir. Basta você decidir encarar as mesmas como elas realmente são – do tamanho de formigas.
(Fabrício Carpinejar)


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domingo, 13 de agosto de 2017

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

domingo, 16 de julho de 2017

Meus 33 anos


Meus 33 anos... mais um aniversário...

Fazendo um balanço dos últimos anos, afinal, trabalho na controladoria, eu posso dizer que 2015 foi um ano de agradecimentos, já 2016, um ano de realizações e 2017, com a chegada dos meus 33 anos hoje, posso dizer que é o ano onde finalmente entendi o significado da Oração da Serenidade, aceitar o que não posso mudar, coragem para mudar o que posso e sabedoria para distinguir uma da outra.

Esse é o ano da aceitação.

Finalmente eu estou aceitando o que não posso mudar, me dei conta de que nem sempre as coisas são como a gente gostaria que fosse, que nem todos os nossos desejos serão atendidos e que está tudo bem mesmo assim, que não podemos parar de viver, de desejar, de sonhar, por causa disso.

É agora que a vida está acontecendo, hoje, nesse momento.

Eu entendi que algumas situações acontecem para nos fazer crescer e evoluir, que algumas pessoas passam pela a nossa vida justamente para nos ajudar nesse processo e que para as situações em que não posso mudar, resta apenas eu aceitar.

Hoje, começa o meu novo ano, que ele seja belo. Que ele seja épico.




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terça-feira, 27 de junho de 2017

segunda-feira, 26 de junho de 2017

Como um jogo



Ela nunca concordou com esse negócio de que o amor é na verdade um jogo, como se ele fosse as cartas de um baralho em um jogo de poker onde você tem que escondê-las como se a outra pessoa fosse o seu oponente e não o seu parceiro.

Ela nunca entendeu que lembrar e esquecer fazem parte do jogo, onde você finge esquecer enquanto lembra e finge não lembrar enquanto tenta esquecer.




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terça-feira, 20 de junho de 2017

quarta-feira, 7 de junho de 2017

Estradas













Eles se esbarraram em uma dessas curvas que a vida dá, não foi um evento histórico, épico ou catastrófico, mas algo sutil aconteceu e quando se deram conta, estavam ambos, seguindo por um caminho em busca de algo que os dois ansiavam, mesmo sem saber ao certo o quê.

Ele estava de um lado e ela do outro. Ficaram frente a frente. Olhos nos olhos, entre eles era como se houvesse apenas um pequeno riacho, que ora corria no mesmo sentido do que eles e, ora para o sentido contrário.

O percurso era longo, algumas vezes silencioso, e, enquanto caminhavam, separados por aquele riacho, aquele silêncio que costumava acompanhá-los acabou se tornando mais importante do que muitas palavras, através dele, eram capazes de compreender um ao outro, fazendo com que as palavras não ditas, tivessem infinita vezes mais significado do que aquelas ditas.

Mas nem sempre seguiram juntos o referido caminho, ele chegou a ficar um bom tempo sem fazê-lo, fazendo-a acreditar que deveria seguir sozinha dali para frente, até que algum tempo depois, ele a alcançou e os dois continuaram caminhando, um ao lado do outro, mesmo que separados, e sempre em busca de algo que ainda eram incapazes de compreender o quê.

Havia também dias em que ele não aparecia para fazer o tal percurso, e ela se sentia sozinha, triste, abandonada... ela já estava habituada à presença dele, ele sabia lê-la como ninguém, conhecia todas as suas manias, trejeitos e caretas, os dias em que ele não aparecia, eram solitários e sombrios.

Foram quilômetros e quilômetros de caminhada, tiveram tantos obstáculos, mas, quando pensavam em desistir, o outro está lá, encorajando com o olhar, mesmo quando o que os separava, não era mais somente um pequeno riacho, e sim, talvez um rio grande.

Eles sabiam que tinham que continuar. Que aquele rio que dividia o caminho dos dois, em algum momento, iria seguir outro percurso e finalmente, nada mais estaria entre eles. Eles ansiavam por isso tanto quanto ansiavam por aquilo que buscavam no começo da jornada.

Até que, de repente, não existia mais rio, e no lugar dele agora havia uma estrada, linda, arborizada, porém, com três pistas movimentas, com carros velozes, que não permitiam que qualquer um dos dois se aventurasse em atravessa-la e a esperança de um dia caminharem não somente um de cada lado, mas sim lado a lado, tornou-se apenas um sonho...

...O sonho que eles perseguiam quando começaram a jornada, sem saber que aquilo era o que queriam.



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segunda-feira, 29 de maio de 2017

sexta-feira, 12 de maio de 2017

Roda Gigante





Hoje pela manhã, nem sei a razão, me deu vontade de ouvir Biquini Cavadão, talvez pelo o fato de que esse mês fará um ano que fui ao show deles, talvez por nostalgia, talvez por tudo, ou talvez por nada, o que sei é que dentre as músicas que mais gosto, essa é uma delas, e ouvi-la me fez refletir sobre o que nos faz experimentar a sensação descrita na letra, a da roda gigante.

Acredito que no final das contas, é isso o que a gente sempre quer e procura, alguém ou algo, que nos faça sentir o tal frio na barriga, que nos faça sentir rodar... como uma roda gigante.

E o que acontece quando não encontramos?

A resposta é simples, ou cruzamos os braços e aceitamos o “triste destino de não sentir a tal roda gigante dentro da gente”, ou, buscamos sentir em coisas ou alguém que não esperávamos sentir.

Cheguei a conclusão de que a roda gigante não pode estar no outro, na outra coisa, na situação, ela tem que estar dentro da gente, e cabe a nós, encontrar meios de fazê-la girar.

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sábado, 8 de abril de 2017

segunda-feira, 3 de abril de 2017

sexta-feira, 31 de março de 2017

Ao menos que...




Ele não era muito de falar. Não sobre seus sentimentos. Não com ela.
Ele podia conversar sobre astrofísica, sobre as pirâmides do Egito, sobre Deus ou sobre música, mas se dizia ser totalmente inapto a falar sobre o que sentia, como se houvesse nele uma espécie de bloqueio.
Quem era ele afinal? Como poderia ser tão fechado se sabia detalhar com maestria detalhes sobre ela que ninguém mais era capaz? Por que então se dedicava tanto a observá-la se não podia amá-la?
Qual era o seu temor que o fazia controlar as palavras e talvez, esconder seus sentimentos?
Ele era a manifestação da palavra incoerência, porque não fazia sentido o cara que possuía na memória lembranças vivas sobre ela, ser tão frio como ele mesmo costumava dizer ser.
Do que ele fugia? Como era possível ele se apaixonar e até amar todas e não sentir nada por ela? Logo ela, que segundo ele, era a única mulher com quem ele tinha uma conexão de verdade.
O que era ela para ele afinal? Seu passatempo? Sua válvula de escape? Seu equilíbrio?
Será verdade o que dizem: Que se não é possível dar nome a um sentimento, é porque ele não existe?
Pela primeira vez, ela desejou ter dele aquilo que qualquer outra pessoa tinha, menos ela. E se odiou por não ter.

quarta-feira, 29 de março de 2017

domingo, 26 de março de 2017

Que história você irá contar?



Você  vai vivendo e levando a vida, muitas vezes mais pelo impulso do que pelo propósito. Você acredita que está no controle só porque está constantemente fazendo escolhas, quando na verdade, está sendo manipulado por elas. Você vive como se fosse possível viver de novo a mesma vida, mas, basta uma notícia, um fato, um acontecimento, para fazê-lo sair do estado de inércia e passar a questionar a si mesmo se é assim, tão independente e tão dono do seu próprio destino.

Não precisa de muito, não é necessário uma sentença de morte ou uma perda grande e irreparável, apenas um sopro de tais sensações, apenas uma possibilidade, apenas a angustiante dúvida, a espera de um parecer que poderá ser a sua salvação ou condenação, já é o suficiente para fazê-lo duvidar de que se está realmente fazendo aquilo para o qual nasceu para fazer.

Você começa a questionar quando sente medo. Você começa a reescrever mentalmente a sua história e suas escolhas, quando a iminência de algo ruim o assombra, quando verdadeiramente sente que vai perder, se perder, ou perder alguém.

Você passa a indagar a sua existência quando permite que a incerteza do amanhã a corteja. Você a convida para se deitar com você e ambos não conseguem dormir. Será que fiz tudo o que eu tinha que fazer? Será que disse todas as palavras que tinha que dizer? Será que amei o suficiente? Será que fui amado o suficiente?

Perguntas como essas passam a ser suas companhias mais íntimas e secretas e sem saber as respostas, por precaução, apenas por precaução, lentamente você começa a se despedir de tudo e quando isso acontece, milagrosamente, você passa a reparar nos detalhes. Você observa o sol com admiração, olha para a lua com gratidão, encara o céu estrelado e se permite contar as estrelas, brinca de descobrir desenhos nas nuvens, curti as gotas de chuva que caem em seu rosto, sorri para um cachorro trapalhão, se encanta com uma flor no meio de nada.

Coisas pequenas, se tornam grandiosas. E as grandiosas, os problemas do dia a dia, se tornam pequenos.

Existem pessoas que vivem por oitenta anos e pouco possuem para contar, tudo porque viveram mediocremente, fugindo de qualquer adversidade, se escondendo de seus próprios sentimentos, tentando levar a vida mais pacata possível, se protegendo de frustrações, de se magoar e de magoar alguém.

E eu me pergunto: Que histórias essas pessoas irão contar?

Assim como, existem pessoas que em tão pouco tempo de vida, já viveram tanto que se a vida acabasse ali, naquele ponto, teriam não um, mas talvez três ou quatros livros contanto as suas histórias.

Talvez, o grande erro seja deixarmos as coisas para uma ocasião melhor que jamais chega. A gente tem por hábito, viver a vida como se ela fosse apenas uma simulação da vida real, como se pudéssemos viver duas vidas, e então, deixamos de lado o que realmente importa, com a intenção de para quem sabe, viver no futuro.

O futuro que você não sabe se chegará para você.

E então você se dá conta de que não se pode gastar o seu próprio tempo ensaiando o presente. Ele é a única certeza que você tem e não importa quanto tempo ele dure, ele sempre será o seu presente se você souber o que fazer com ele.

segunda-feira, 20 de março de 2017

Calmaria




Ele a segurou e tocou-lhe o rosto.
Olhando nos olhos dele, ela deslizou os dedos através de de seus cabelos e suspirou, desejando profundamente ser capaz de jamais se esquecer daquele momento. Ela gostaria de poder congelar aquele pequeno instante de felicidade, onde seu coração trabalhava mais forte do que ela mesma podia suportar, só para que sempre que estivesse triste retornasse àquele dia e a lembrança dele a aquecesse nas noites solitárias.

Trocaram carícias com o olhar, não havia pressa, não havia urgência, era como se não houvesse mais ninguém no mundo, como se fossem os únicos habitantes dele. Eram eles. Somente eles. E todas as suas emoções e sentimentos.

E então eles se amaram.

Não foi como uma explosão de fogos de artifício em noite de ano novo ou como um grito de vitória após um campeonato difícil, foi como um passeio de barco em um oceano de águas calmas, foi como tocar as nuvens enquanto gotas frescas caiam delas.

Eles se amaram através de olhares.
Se amaram ao se tocarem.
Se amaram até através das frases não ditas.

Ao ritmo de uma melodia nostálgica, velejaram juntos desbravando oceanos. Perderam-se e encontraram-se e ela nunca teve tanta certeza de que ali era o seu lar como teve naquele amanhecer ensolarado.

E quando acabou, descobriu que havia conseguido. Ela havia eternizado dentro dela, em suas lembranças, aquilo que somente ele era capaz de oferecer-lhe, e ela soube que jamais o esqueceria por isso.


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terça-feira, 14 de março de 2017

Silêncio


( Esse texto foi escrito ao som de Turning Page - Aqui )

Olhou-a com aqueles olhos aveludados e contrariando todas as lógicas, a fez ouvir o silêncio, o silêncio que a queimava por dentro, que como se fossem espinhos, lhe rasgava a garganta e feria a alma. Um mal necessário. O efeito colateral de suas próprias emoções.

E escondendo as lágrimas e disfarçando a tremedeira, ela retribuiu com o mesmo silêncio. Entre o silêncio dela por não dizer e o silêncio dele por não responder, optou pelo o primeiro, ela já estava acostumada a ele.

Foi então que em silêncio, desejou que ele não a tivesse ouvido há algum tempo atrás, quando ainda estavam com as mãos entrelaçadas, que ela o chamara de "meu amor".

Doeu-lhe tanto esconder.

Queria ter contato a ele sobre os seus medos, sua saúde e seus sonhos. Queria ter dado a ele um adeus descente. Queria ter tido a coragem de buscar nele o conforto para a sua alma assustada.

Certa vez, ela ouvira alguém dizer que existia dois tipos de amor, o ruim e o bom e que a única diferença entre eles era que o primeiro implorava pelo amor de volta e o segundo, não esperava nada em troca. Abraçada a ele, teve que escolher qual dos dois amores era capaz de sentir, com qual dos dois era capaz de conviver, ciente de que seria uma escolha sem volta, se optasse pelo o amor ruim, iria eternamente viver à espera desse amor, e se escolhesse o amor bom, deveria ali, abrir mão de qualquer esperança de reciprocidade.

E ela escolheu.

Lembrando-se de uma frase de uma das personagens de Wood Allen, "Só o amor incompleto pode ser romântico" deu-se conta de que tratava-se dos mais belos dos amores, do amor bom, daquele tipo de amor arrebatador que nunca seria realizado, porque a magia daquele sentimento era justamente a idealização dele, deu-se conta de que ama-se pelas impossibilidades e não pelas possibilidades.

E então, em silêncio, ela o amou.


quinta-feira, 9 de março de 2017

quarta-feira, 8 de março de 2017

terça-feira, 7 de março de 2017

Certezas




O que é mais sensato? Dar o próximo passo somente se tiver certeza ou, pisar sem enxergar e acreditar que a certeza vem com ele?

Eu não sei.

O que sei é que não se pode trabalhar em algo que não se tem a certeza de que gosta, não se deve cursar uma faculdade sem ter a certeza de que é o que quer para si, não se deve estar com alguém que não tem a certeza de que quer realmente estar com você.

A certeza é como um porto seguro, um ponto de apoio, e talvez, algumas vezes, uma âncora. Mas ela não é a garantia e nem pode ser, ela é apenas manifestação da vontade.

Está calor, um dia lindo de sol, você olha para aquela ponte acima do rio e tem certeza de que quer mergulhar nele pulando dela, mas não tem certeza se vai sentir medo quando estiver em queda livre e nesse caso, certeza e incerteza travam uma batalha. Quem ganhará? A sua vontade ou o seu medo?

Se a sua certeza for real, ela certamente será mais forte do que o medo, mas, se ela estiver carregada de dúvidas, apenas não pule. Fique onde está, aprecie a vista e volte para trás.




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segunda-feira, 6 de março de 2017

Ele não era "ele"


Em sua camisa azul escuro impecável, ele sorriu ao vê-la e estendeu a mão para ela. Reticente ela tentou esconder o que lhe apavorava. Ela nunca tivera a intenção de magoá-lo e queria que ele soubesse disso, mas temia não ser capaz de explicar aquilo que não tinha explicação.

Ele não era "ele".

Era um cara incrível, dono de um sorriso estonteante e ela apreciava o seu senso de humor e também sua beleza. Ele a fazia sorrir, a distraía e na maioria das vezes, preenchia as lacunas vazias escondidas em seu coração, mas, ele não era "ele" e ela não sabia como dizer isso sem que as suas palavras o ferissem, logo ela, que já fora tantas vezes ferida, estava prestes a se tornar a vilã da história, estava prestes a se tornar "ele".

Ainda sorrindo, ele caminhou até ela e segurou o seu rosto entre as mãos. Ele percebeu o que estava prestes a acontecer, mas decidiu ignorar. Com a ponta dos dedos, tocou os lábios dela com tanto zelo que a fez suspirar e então, ao invés de prometer dar o mundo a ela, prometeu apenas dar amor, e isso a paralisou.

E oras, não era exatamente isso o que ela vinha buscando há tempos?

De um jeito que somente ele sabia fazer, piscou o olho para ela e sorriu, ele sabia o quanto isso a afetava, nem mesmo ela, que estava decidida a não mais vê-lo, não conseguia ficar imune ao sorriso dele.

Era o momento em que ela tinha que decidir seguir em frente como se tudo estivesse bem, aceitando que ele não era "ele", ou, desistir da busca incessante por aquilo que ela havia encontrado nele.

Porque ele não era 'ele".

E ela decidiu. Optou por desistir da sua busca, escolheu permanecer onde está, sem "ele", do que caminhar com alguém que não fosse o seu "ele".  E olhando nos olhos daquele que lhe havia prometido tanto amor, se despediu, dizendo a ele que ela, jamais poderia ser para ele, "ela" que ele merecia.

Então, ali mesmo, ela jurou para si jamais procurar o seu "ele", em outros eles.

domingo, 5 de março de 2017

Voe em paz







Como será viver em um mundo em que você não existe mais?
Eu sempre me fiz essa pergunta quando ainda não tinha notícias suas. Agora eu sei como é.
E eu posso dizer que é pior do que eu imaginava.
Dói pra cacete! Dói porque eu não sei como foi a sua partida, não sei se ainda estava sofrendo antes de ir e se ela foi a sua libertação, não sei se estava sozinho ou se alguém pelo menos lhe deu consolo nos últimos momentos. Dói porque eu sei o quanto o mundo foi cruel com você e o quanto você mesmo foi, você não soube jogar o jogo, não soube lidar com as frustrações que a vida causa, se perdeu e nunca mais se encontrou.
E como rezei para que se encontrasse. Como desejei que você encontrasse a tão esperada luz no fim do túnel. Como esperei para que você chegasse ao seu fundo do poço e tivesse forças para dar um impulso e então, retornasse à superfície.
Você já tinha conseguido uma vez. Eu tinha esperanças que conseguisse de novo.
Mas não aconteceu. Você se afogou.
Quer saber? O mundo é que não estava preparado para a sua ingenuidade e sensibilidade, eu conheci o seu melhor e o seu pior e é por isso que tenho tanta certeza de que você foi e sempre será alguém especial, o anjo de pele pálida e sorriso triste que me ensinou a amar.
Você me fez ser forte, me mostrou o quanto eu podia aguentar, mesmo quando eu acreditava que não.
Você me ensinou a ter fé. E mesmo agora que você não está mais aqui, eu me apego à essa fé porque preciso dela para acreditar que se ainda não está em um lugar melhor, um dia, em breve, estará.
Da pior maneira possível, você me ensinou uma das lições mais importantes da minha vida: a apreciar o hoje, a viver o só por hoje. Era o que acontecia nos dias em que você vencia as drogas ao invés delas vencerem você.
Eu só queria ter podido dizer que eu jamais me arrependi. Que apesar de toda dor, apesar de todo sofrimento, ter conhecido alguém com uma alma tão pura, foi uma honra.
Descanse em paz, anjo Gabriel. Que o Poder Superior o perdoe pelas as suas fraquezas e o receba de braços abertos.
Que você me perdoe por eu não ter tido forças os suficiente para continuar e saiba que não há nada que eu precise perdoar em você.
Eu conheci um anjo, e só por isso, digo que Valeu A Pena.


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domingo, 19 de fevereiro de 2017

Por mais frio na barriga, por favor!


Eu gosto de pessoas que sorriem sem medo, que quando sorri, a sua alma pode ser vista através dos seus olhos. Gosto de quem não tem medo de se mostrar para o mundo. Eu admiro e aplaudo aquele que se arrisca e que aceita os riscos de ser feliz.

Eu tenho tédio de gente medrosa, que se esconde atrás de suas próprias fraquezas, como se elas fossem algum tipo de pecado capital. Eu gosto mesmo é de quem tem coragem de mostrá-las ao mundo, de quem não se importa com o que esse mundo vai dizer sobre elas.

Mostrar ao mundo as nossas fraquezas, é um ato de coragem.

Me cansa, aquele que vive pela metade. Eu sou fã da intensidade e não saberia viver sendo somente metade de mim mesma. Sou do tipo que se joga. O "vamos deixar como está para ver como é que fica" não funciona comigo.

Se tiver que ver como vai ficar, que seja agora. Nesse momento.

Tenho preguiça de gente que se enche de autopiedade, que culpa o carteiro, o cachorro, a chuva (ou a falta dela), o carro, o celular, a secretária do dentista, o azedo do abacaxi, o amargo do jiló, mas, que é incapaz de ver que é o culpado por boa parte do que lhe acontece hoje.

Se quiser obter resultados diferentes, faça algo diferente.

Vivemos na era dos "jogos emocionais", onde tudo (para alguns) é conquistado a base dos tais jogos. "Eu não vou ligar para ele e assim, ele vai sentir saudades e vai me procurar". "Vou fingir que não me interesso por ela, e assim, a terei nas minhas mãos". "Quanto menos eu demonstrar, mais ele vai gamar". Me encanta quem não se submete a esse tipo de jogo. Quem tem coragem de ser e dizer. Quem se permite pagar mico, quem abre o seu coração como se estivesse escancarando as portas da varando de um quarto de hotel na beira da praia.  Eu gosto daqueles que se atravem.

Já dizia Charles Chaplin: O mundo pertence a quem se atreve. Alguém duvida? 

Não tenho paciência com quem esconde sentimentos, segura palavras, contém atos. Faz parte da felicidade nos entregarmos, nos permitimos sentir, nos jogarmos de cabeça naquela paixão maluca-insana-arrebatadora. Se você passar a vida toda se segurando com medo de sofrer, o mínimo que te acontecerá quando já não tiver mais tempo de se arriscar, é sofrer por ter tido medo de sofrer.

Seja você e pague para ver! 

Por sorrisos mais espôntaneos. Por pessoas sinceras. Por sentimentos verdadeiros. Por mais banhos de chuva. Por mais pés descalços. Por mais "Eu te amo" e menos "eu tenho medo de amar". Pela coragem de ser. E também deixar de ser. Pela audácia de amar. E sim, também pela coragem de se jogar. Por momentos felizes. Por mais momentos felizes.

Por mais frio na barriga, por favor.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Expectativas


Decididamente ela não domina a arte de não criar expectativas. Como poderia, se ela faz parte do clube das intensas? É mestre em se frustrar.

Ela entende perfeitamente o que Antonie de Saint-Exupéry quis dizer com a frase: "se tu vens às quatro, desde às três eu começo a ser feliz". Essa é ela, cultivando e adubando as expectativas, diria até que ela as coloca no colo e canta uma canção de ninar para elas, mesmo sabendo que muitas vezes, elas podem crescer e a devorar, como agora, ela criou um monstro, uma big expectativa e está prestes a ser engolida por ela, se aprendeu a lição?

Não, claro que não, na próxima oportunidade lá estará ela, cantando a canção novamente.

Ela é totalmente expectável, mesmo que essa palavra não exista. Ela é a pessoa mais suscetível às frustrações da face da Terra. Tudo porque ela teima em acreditar no inacreditável, sim, ela também é teimosa e um tanto quanto corajosa.

Ah... Se ela soubesse pelo menos não se frustrar consigo mesma por ser assim, tão vulnerável!

Mas o que seria dela sem as expectativas para se agarrar? Elas são a sua ruína e também a sua esperança, um paradoxo perfeito.

Fazer o que se ela acredita que quem não cria expectativas, também não vive? Entre se decepcionar ou deixar de curtir os pequenos momentos, ela fica com a segunda opção, ela escolhe o frio na barriga, a ansiedade gostosa, a decepção e frustração são apenas um preço, talvez grande, que ela paga algumas vezes por ser tão... tão otimista.



sábado, 11 de fevereiro de 2017

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Fio invisível









Akai Ito:



“Um fio invisível conecta os que estão destinados a conhecer-se, independentemente do tempo, lugar ou circunstância, o fio pode esticar ou emaranhar-se, mas nunca partirá.”







Uma antiga crença japonesa diz que os deuses amarram uma corda vermelha invisível, no momento do nascimento, nos tornozelos dos homens e mulheres que estão predestinados a ser alma gêmea. Deste modo, aconteça o que acontecer, passe o tempo que passar, essas duas pessoas que estiverem interligadas fatalmente irão se encontrar!


Acredita-se, que quanto mais longo for o fio, mais longe e tristes as pessoas destinadas estão e vice-versa… (Quanto mais curto for o fio, mais perto e mais felizes as pessoas destinadas estão). De acordo com a crença, não importa quantos relacionamentos tenhamos, pois só viveremos a “experiência do verdadeiro amor” com a pessoa que estiver na outra ponta do Fio Vermelho.

Lendas, não passam de lendas, algumas, a gente até torce para que sejam verdadeiras, outras, nem tanto. É o caso dessa, não consigo imaginar como seria a vida das pessoas se ela fosse real, quantos amores separados teriam que conviver com as impossibilidades sabendo que estavam conectados um ao outro para o todo sempre?

É uma linda história, mas somente enquanto é uma lenda.










domingo, 5 de fevereiro de 2017

Namore um cara que não tenha medo de viver


Namore um cara que te desafie ao invés de dizer amém para tudo o que você diz. Que tenha coragem para dizer não a você quando perceber que você está passando dos limites dentro de uma loja de sapatos - ou uma livraria. Um cara que faça você sentir aquela constante sensação de frio na barriga - ou de borboletas no estômago. Namore aquele cara que é capaz de causar em você aquele efeito-babaca de "estar flutuando" e saia do chão sem medo de cair. 

Encontre alguém que te faça cócegas e te faça rir até doer a barriga e, que te faça chorar com algum ato bonitinho do tipo, "amor, senta aqui". Namore um cara que te faça surtar. Que cause em você os efeitos parecidos que a droga causa em alguém, porque estar em estado de amor, é estar totalmente viciado na pessoa amada. Busque alguém que te deixe tresloucada, mesmo que você não saiba ao certo o que essa palavra de nome estranho significa, você só precisa saber que a sensação é boa.

Namore um cara que não tenha medo de viver.

Um cara que não tem a vida toda planejada em um quadro de metas e que permite ser surpreendido pelo o acaso. Esse cara com certeza vai te causar pequenos surtos de alegria quando te surpreender em um domingo de manhã dizendo:" Amor, vamos cair no mundo". E mesmo que esse cair no mundo seja somente sair de casa cedo, sem rumo, para voltar à noite.

Um cara que não tem medo de viver não fica bravo quando o pneu do carro fura ou quando perde um voo. Ele não se irrita quando o manobrista demora para encontrar o seu carro e sempre topa qualquer tipo de passeio com você.

Ele não precisa ser amante dos esportes radicais, gostar de pular de penhascos ou praticar algum esporte alucinado, ele precisa apenas não travar diante de algum desafio, e um cara que não tem medo de viver, não trava.

Um cara que não tem medo de viver, não se acostuma com a zona de conforto, e não vai deixar você se acostumar também. Ele vai sempre te apoiar na realização dos seus sonhos, porque quem não tem medo de viver, tem uma facilidade maior de acreditar que sonhos são possíveis. Ele vai até te irritar às vezes, afinal, ele está sempre "de bem com a vida", parece nunca se abalar, mas é apenas uma opção dele, de fazer cada hora do seu dia valer a pena e escolher o que vale a pena se preocupar.

Um cara que não tem medo de viver, não teme também demonstrar as suas fraquezas e seus medos. Não esconde a sua intensidade e também os seus pensamentos confusos. Ele é transparente.

Namore um cara que te faça perceber que a vida é uma só e que ela está acontecendo agora nesse momento e logo, você também não terá medo de viver.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Da próxima vez que vier


Da próxima vez que vier, não entre por uma porta e saia pela outra, como tem feito, deixando tudo devastado pelo caminho que passou. Da próxima vez, fique e tome uma xícara de café comigo à tarde, e quem sabe, um copo de whiskey à noite. Da próxima vez que vier, assista a um filme comigo no sofá, deita a cabeça no meu colo e me deixa admirar você. Eu deixo você escolher o filme e até tirar a legenda se quiser. Vamos comer juntos um balde de pipocas e disputar um único chocolate depois. Escolhe um cd, coloca Michael Bublé pra tocar e me tira pra dançar, me deixa saber qual é a sensação de encostar a cabeça em seu ombro.
Da próxima vez, entrelaça os seus dedos nos meus e me convida para um passeio no parque, me mostra o seu lugar favorito para ver o sol se pôr, olha nos meus olhos e diz aquilo que ainda espero ouvir.
Se você vier, eu vou usar aquele vestido com zíper na frente que você tanto gosta, só pra ver o sorriso de contentamento nos seus lábios.
Da próxima vez que vier, venha pra ficar, eu já reservei um lugar pra sua escova de dente e um espaço para as suas roupas.
Se você vier, trás sua mala e o passaporte, pode parecer piegas, mas vamos ser felizes em Vegas. Me leva pra passear pela Le Boulevard at Paris, depois vamos ao Bellagio e quando estivermos passeando de gôndola no Venetian, apenas diz que me adora e então, vamos nos casar em uma capela com Élvis sendo o padre.

Da próxima vez que vier, não vá.

Da próxima vez que entrar em minha vida e tocar a minha alma, tenha mais cuidado, da última vez, você deixou tudo uma bagunça, principalmente o meu coração.

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Ela é de câncer

Você sabe qual é o signo das pessoas que nascem na metade do mês de Julho? Sim, ela é de câncer. E você sabe o que isso quer dizer, né? Quer dizer que ela é um imenso pacote de surpresas, ora boas, ora nem tanto. Quer dizer que essa garota de rosto delicado e meigo, provavelmente é a garota mais complexa que você já conheceu. Ela é de câncer. Ela é romântica, sentimental, sonhadora, sensível e muito, mas muito intuitiva, por isso, não tente esconder nada dela, porque ela sempre consegue descobrir, é incrível como ela é capaz de pressentir quando algo não está certo e por Deus, ela sempre encontra meios de descobrir a verdade.

Preciso dizer que ela é também um pouco manipuladora, sabe conseguir o que quer através dos apelos emocionais, e esse é um dos seus defeitos, mas ela busca sempre o bem maior, é capaz de muitas vezes anular a sua felicidade se for para ver as pessoas que ela ama, felizes. Por falar em amor, ela não é do tipo que saí por aí ferindo as pessoas, tampouco do tipo que ostenta uma lista gigante de conquistas amorosas. Ela acredita no amor verdadeiro e não se cansará até encontrar o seu. Ela gosta de receber carinho, na verdade, ela precisa dele, constantemente, mas também sabe oferecer como ninguém. Provavelmente você jamais encontrará alguém tão disposta a oferecer carinho e atenção como ela. Ela vai querer participar da vida, saber sobre o que te faz feliz, o que te emputece e o que te deixa triste. Ela gosta de conversas complexas, diria quase que metafísicas, mas sabe apreciar uma simples conversa sobre o tempo, o trânsito ou o aumento do buraco na camada de ozônio, se a companhia for boa, ela não se importa de invadir a madrugada apenas conversando. 

Ela é de câncer, isso significa que quando ela lhe perguntar como vai a sua vida, ela não quer saber apenas sobre o seu trabalho, amigos ou passeios, ela quer enxergar a sua alma, quer vê-lo nu, com todas as suas qualidades e também defeitos. Ela é assim, gosta de coisas profundas, o superficial não lhe atrai.  O seu signo é regido pelo elemento água, isso explica o fato dela ser tão emotiva, chora por tudo. E por todos, mas você já viu a força da água e o estrago que ela pode causar em um dia de fúria? 

Ela é de câncer, por fora, frágil como uma porcelana, por dentro, forte como uma rocha. Possui o dom de sorrir mesmo quando tudo o que quer é chorar, mas tome cuidado, porque uma vez magoada, ela se fecha em seu casulo onde poucos são capazes de alcançar. Não machuque uma mulher de câncer, tampouco desperdice o amor de uma, o que ela tem a oferecer está em extinção.

E viu, se às vezes ela apenas te olha enquanto você fala, não é pouco caso dela sobre a historia que está contando, é que ela pensa em mil coisas ao mesmo tempo e uma delas é como ela gostaria de poder congelar em sua memoria o seu rosto para lembrar sempre de você como você é. Ela é parceira, do tipo que topa todas e encara tudo pelo o seu amor, mesmo sendo caseira, não recusa um passeio ou aventura, se a companha for boa.

Ela é de câncer, isso quer dizer que ela vai dar trabalho, ela gosta de ser mimada, não liga para flores, mas gosta de saber que você lembrou dela, seja porque ouviu uma música, lembrou de uma conversa, ou pensou nela ao conhecer um lugar novo.

Ela é de câncer, em um momento ela está rindo até a barriga doer e no outro esta chorando no escuro com suas músicas tristes e melancólicas. Filha da lua, ela é de fases, a típica complicada e perfeitinha. Ela é insegura, por isso, não é qualquer um que adentra e consegue conhecer o seu casulo, ela é misteriosa, não suporta jogos, mas sabe jogá-los se for necessário.

Ela é de câncer e ama o passado como ninguém, ela gosta de cultivar memórias e lembranças, ela tem um dom incrível para descrever cada cena, cada capítulo da história da sua vida, tudo o que a fez chorar e tudo o que a fez sorrir, mas, ao contrário do que muitos pensam a respeito das cancerianas, ela olha para o futuro, sonha com ele e possui uma determinação invejável, que faz com que ela caminhe sempre em direção a ele.

Minha nossa, ela é de câncer, isso quer dizer que a dois, ela é pura explosão. Se você souber incentivá-la, fará com que você jamais a esqueça. Ela é intensa, às vezes, é um catalisador, capaz de sentir todas as dores do mundo. Ela sente tudo com mais força, seja dor ou alegria, ela é o tipo mãe de todos. É dramática. Mas também engraçada.

Ela é de câncer, mas às vezes, ela é libra, peixes ou escorpião. Ela tudo e mais um pouco. Ela pode te levar ao céu, mas não a leve ao inferno.



domingo, 29 de janeiro de 2017

Um dia. Alguém.


Um dia, alguém vai segurar o seu rosto, olhar em seus olhos e te dizer que você é especial para ele. Alguém vai te colocar no colo e pedir que você divida com ele os seus sonhos e também as suas dores. Um dia alguém vai dizer que você é linda mesmo quando fica brava e vai entender todas as suas mudanças de humor.

Esse alguém vai ser capaz de notar todas as vezes em que você estiver triste e não se calará diante do seu silêncio, ele fará questão de deixar você saber que ele está ali, ao seu lado e sempre estará.
Alguém que como você, não tenha paciência para joguinhos amorosos, alguém que não tenha medo de falar sobre sentimentos e que não fuja todas as vezes em que uma briga boba estiver prestes a começar.

Esse alguém vai te mandar mensagem durante o dia só pra dizer que está com saudades e à noite, te amará intensamente enquanto em meio à algumas palavras sacanas, dirá olhando em seus olhos, que a ama.

Um dia alguém vai entender todas as suas feridas e vai querer curar cada uma delas. Alguém que note o seu vestido novo e não deixe de elogiar o quão fascinante você fica vestida nele.

Esse alguém vai fazer questão de conhecer cada parte do seu corpo, de memorizar cada ponto sensível seu e não medirá esforços para levá-la a sentir as mais gostosas das sensações.

Um dia alguém vai te abraçar e fará com que desapareça todas as suas inseguranças. Tirará de você todas as dúvidas e todos os medos. Ele vai segurar a sua mão e você vai saber que ele é o seu porto seguro.

Um dia, cada lágrima derramada no escuro do seu quarto, cada dor sentida silenciosamente enquanto você sorria para o mundo, cada desilusão vivida, fará sentido, porque você terá encontrado alguém capaz de anular cada experiência ruim que você teve ao longo da sua vida e tudo o que importará dali em diante, será não o que esse alguém é, mas sim como ele faz você se sentir quando estiver  com ele.

Um dia. Alguém.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Inevitável


Eu sonhei com você essa noite e me desculpe se isso não me alegreou, mas é que acordar com você em meus pensamentos me trouxe lembranças  das quais venho tentando desesperadamente esquecer. Como a 
sensação de aconchego que eu sentia toda vez que suas mãos tocavam a minha pele, como se meu corpo reconhecesse o seu apenas com um toque e não importava quanto tempo passasse, o mínimo contato era o suficnete para causar reações grandiosas em mim.

Sim, eu venho tentando esquecer também como era a sensação de sentir os seus lábios a procura dos meus e, 
na esperança de que funcione, busco em outros beijos, o frio na barriga que somente o seu era capaz de me causar,  algumas vezes, obtenho sucesso  e por uma fração de segundos, arrisco a dizer que sou capaz de anular da minha memória 
a lembrança de como era ser beijada por você e me permito curtir o novo beijo,  outras, nem tanto, e quando isso acontece, sinto o vazio me abraçar como uma sombra 
fria. Voce nao faz idea de como é frustrante abrir os olhos e enxergar outro par de olhos - que não são os seus - a me fitar.

E é por isso que ando fugindo de qualquer coisa que me leve diretamente à você. As lembranças, que antes eram boas, com um gosto de saudade, hoje, são como faíscas em um celeiro embebecido no álcool, 
por menores que elas sejam, são capazes de incendiar tudo dentro de mim e eu já cansei de me queimar.

Se antes, eu fazia questão de saber da sua vida, por onde andava ou se eu ainda estava em seus pensamentos como você não cansava de afirmar, hoje, eu luto bravamente contra essa versão ultrapassada 
minha, está na hora de deixá-la para trás.

Como uma dependente química em recuperação, vivo um dia de cada vez, celebrando um dia a mais que consegui vencer a vontade de entrar em contato com você, porque no fundo, eu tenho medo de lhe escrever 
um e-mail para dizer um oi e de repente, me ver contando sobre a falta que sinto de você, eu estou tentando me convencer de que quanto menos eu falar, menos vou sentir.

Como parte do plano de recuperação, eu agora ando evitando também os lugares que me fazem lembrar do seu rosto sempre tão cheio de mistérios , como aquele barzinho que costumávamos ir juntos, ele era 
o nosso lugar favorito, muitos beijos e também, muitas confidências foram trocadas lá, quando não existe outra rota e sou obrigada a passar na frente dele, eu viro a cara e em um esforço sobre-humano bloqueio as vozes e risadas que ecoam em minha cabeça como 
se fosse um filme em câmera lenta.

Apesar dos pesares, eu acho que estou conseguindo, parafraseando Legião Urbana, mesmo sem te ver, acho até, que estou indo bem, quanto a esse desabafo, bom, ele foi apenas uma recaída, causada pelo 
estranho sonho que tive com você, mas já estou me blindando novamente a fim de evitar aquilo poderá me levar diretamente ao precipício:

Você.

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