quarta-feira, 29 de março de 2017

domingo, 26 de março de 2017

Que história você irá contar?



Você  vai vivendo e levando a vida, muitas vezes mais pelo impulso do que pelo propósito. Você acredita que está no controle só porque está constantemente fazendo escolhas, quando na verdade, está sendo manipulado por elas. Você vive como se fosse possível viver de novo a mesma vida, mas, basta uma notícia, um fato, um acontecimento, para fazê-lo sair do estado de inércia e passar a questionar a si mesmo se é assim, tão independente e tão dono do seu próprio destino.

Não precisa de muito, não é necessário uma sentença de morte ou uma perda grande e irreparável, apenas um sopro de tais sensações, apenas uma possibilidade, apenas a angustiante dúvida, a espera de um parecer que poderá ser a sua salvação ou condenação, já é o suficiente para fazê-lo duvidar de que se está realmente fazendo aquilo para o qual nasceu para fazer.

Você começa a questionar quando sente medo. Você começa a reescrever mentalmente a sua história e suas escolhas, quando a iminência de algo ruim o assombra, quando verdadeiramente sente que vai perder, se perder, ou perder alguém.

Você passa a indagar a sua existência quando permite que a incerteza do amanhã a corteja. Você a convida para se deitar com você e ambos não conseguem dormir. Será que fiz tudo o que eu tinha que fazer? Será que disse todas as palavras que tinha que dizer? Será que amei o suficiente? Será que fui amado o suficiente?

Perguntas como essas passam a ser suas companhias mais íntimas e secretas e sem saber as respostas, por precaução, apenas por precaução, lentamente você começa a se despedir de tudo e quando isso acontece, milagrosamente, você passa a reparar nos detalhes. Você observa o sol com admiração, olha para a lua com gratidão, encara o céu estrelado e se permite contar as estrelas, brinca de descobrir desenhos nas nuvens, curti as gotas de chuva que caem em seu rosto, sorri para um cachorro trapalhão, se encanta com uma flor no meio de nada.

Coisas pequenas, se tornam grandiosas. E as grandiosas, os problemas do dia a dia, se tornam pequenos.

Existem pessoas que vivem por oitenta anos e pouco possuem para contar, tudo porque viveram mediocremente, fugindo de qualquer adversidade, se escondendo de seus próprios sentimentos, tentando levar a vida mais pacata possível, se protegendo de frustrações, de se magoar e de magoar alguém.

E eu me pergunto: Que histórias essas pessoas irão contar?

Assim como, existem pessoas que em tão pouco tempo de vida, já viveram tanto que se a vida acabasse ali, naquele ponto, teriam não um, mas talvez três ou quatros livros contanto as suas histórias.

Talvez, o grande erro seja deixarmos as coisas para uma ocasião melhor que jamais chega. A gente tem por hábito, viver a vida como se ela fosse apenas uma simulação da vida real, como se pudéssemos viver duas vidas, e então, deixamos de lado o que realmente importa, com a intenção de para quem sabe, viver no futuro.

O futuro que você não sabe se chegará para você.

E então você se dá conta de que não se pode gastar o seu próprio tempo ensaiando o presente. Ele é a única certeza que você tem e não importa quanto tempo ele dure, ele sempre será o seu presente se você souber o que fazer com ele.

segunda-feira, 20 de março de 2017

Calmaria




Ele a segurou e tocou-lhe o rosto.
Olhando nos olhos dele, ela deslizou os dedos através de de seus cabelos e suspirou, desejando profundamente ser capaz de jamais se esquecer daquele momento. Ela gostaria de poder congelar aquele pequeno instante de felicidade, onde seu coração trabalhava mais forte do que ela mesma podia suportar, só para que sempre que estivesse triste retornasse àquele dia e a lembrança dele a aquecesse nas noites solitárias.

Trocaram carícias com o olhar, não havia pressa, não havia urgência, era como se não houvesse mais ninguém no mundo, como se fossem os únicos habitantes dele. Eram eles. Somente eles. E todas as suas emoções e sentimentos.

E então eles se amaram.

Não foi como uma explosão de fogos de artifício em noite de ano novo ou como um grito de vitória após um campeonato difícil, foi como um passeio de barco em um oceano de águas calmas, foi como tocar as nuvens enquanto gotas frescas caiam delas.

Eles se amaram através de olhares.
Se amaram ao se tocarem.
Se amaram até através das frases não ditas.

Ao ritmo de uma melodia nostálgica, velejaram juntos desbravando oceanos. Perderam-se e encontraram-se e ela nunca teve tanta certeza de que ali era o seu lar como teve naquele amanhecer ensolarado.

E quando acabou, descobriu que havia conseguido. Ela havia eternizado dentro dela, em suas lembranças, aquilo que somente ele era capaz de oferecer-lhe, e ela soube que jamais o esqueceria por isso.


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terça-feira, 14 de março de 2017

Silêncio


( Esse texto foi escrito ao som de Turning Page - Aqui )

Olhou-a com aqueles olhos aveludados e contrariando todas as lógicas, a fez ouvir o silêncio, o silêncio que a queimava por dentro, que como se fossem espinhos, lhe rasgava a garganta e feria a alma. Um mal necessário. O efeito colateral de suas próprias emoções.

E escondendo as lágrimas e disfarçando a tremedeira, ela retribuiu com o mesmo silêncio. Entre o silêncio dela por não dizer e o silêncio dele por não responder, optou pelo o primeiro, ela já estava acostumada a ele.

Foi então que em silêncio, desejou que ele não a tivesse ouvido há algum tempo atrás, quando ainda estavam com as mãos entrelaçadas, que ela o chamara de "meu amor".

Doeu-lhe tanto esconder.

Queria ter contato a ele sobre os seus medos, sua saúde e seus sonhos. Queria ter dado a ele um adeus descente. Queria ter tido a coragem de buscar nele o conforto para a sua alma assustada.

Certa vez, ela ouvira alguém dizer que existia dois tipos de amor, o ruim e o bom e que a única diferença entre eles era que o primeiro implorava pelo amor de volta e o segundo, não esperava nada em troca. Abraçada a ele, teve que escolher qual dos dois amores era capaz de sentir, com qual dos dois era capaz de conviver, ciente de que seria uma escolha sem volta, se optasse pelo o amor ruim, iria eternamente viver à espera desse amor, e se escolhesse o amor bom, deveria ali, abrir mão de qualquer esperança de reciprocidade.

E ela escolheu.

Lembrando-se de uma frase de uma das personagens de Wood Allen, "Só o amor incompleto pode ser romântico" deu-se conta de que tratava-se dos mais belos dos amores, do amor bom, daquele tipo de amor arrebatador que nunca seria realizado, porque a magia daquele sentimento era justamente a idealização dele, deu-se conta de que ama-se pelas impossibilidades e não pelas possibilidades.

E então, em silêncio, ela o amou.


quinta-feira, 9 de março de 2017

quarta-feira, 8 de março de 2017

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