terça-feira, 7 de março de 2017

Certezas




O que é mais sensato? Dar o próximo passo somente se tiver certeza ou, pisar sem enxergar e acreditar que a certeza vem com ele?

Eu não sei.

O que sei é que não se pode trabalhar em algo que não se tem a certeza de que gosta, não se deve cursar uma faculdade sem ter a certeza de que é o que quer para si, não se deve estar com alguém que não tem a certeza de que quer realmente estar com você.

A certeza é como um porto seguro, um ponto de apoio, e talvez, algumas vezes, uma âncora. Mas ela não é a garantia e nem pode ser, ela é apenas manifestação da vontade.

Está calor, um dia lindo de sol, você olha para aquela ponte acima do rio e tem certeza de que quer mergulhar nele pulando dela, mas não tem certeza se vai sentir medo quando estiver em queda livre e nesse caso, certeza e incerteza travam uma batalha. Quem ganhará? A sua vontade ou o seu medo?

Se a sua certeza for real, ela certamente será mais forte do que o medo, mas, se ela estiver carregada de dúvidas, apenas não pule. Fique onde está, aprecie a vista e volte para trás.




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segunda-feira, 6 de março de 2017

Ele não era "ele"


Em sua camisa azul escuro impecável, ele sorriu ao vê-la e estendeu a mão para ela. Reticente ela tentou esconder o que lhe apavorava. Ela nunca tivera a intenção de magoá-lo e queria que ele soubesse disso, mas temia não ser capaz de explicar aquilo que não tinha explicação.

Ele não era "ele".

Era um cara incrível, dono de um sorriso estonteante e ela apreciava o seu senso de humor e também sua beleza. Ele a fazia sorrir, a distraía e na maioria das vezes, preenchia as lacunas vazias escondidas em seu coração, mas, ele não era "ele" e ela não sabia como dizer isso sem que as suas palavras o ferissem, logo ela, que já fora tantas vezes ferida, estava prestes a se tornar a vilã da história, estava prestes a se tornar "ele".

Ainda sorrindo, ele caminhou até ela e segurou o seu rosto entre as mãos. Ele percebeu o que estava prestes a acontecer, mas decidiu ignorar. Com a ponta dos dedos, tocou os lábios dela com tanto zelo que a fez suspirar e então, ao invés de prometer dar o mundo a ela, prometeu apenas dar amor, e isso a paralisou.

E oras, não era exatamente isso o que ela vinha buscando há tempos?

De um jeito que somente ele sabia fazer, piscou o olho para ela e sorriu, ele sabia o quanto isso a afetava, nem mesmo ela, que estava decidida a não mais vê-lo, não conseguia ficar imune ao sorriso dele.

Era o momento em que ela tinha que decidir seguir em frente como se tudo estivesse bem, aceitando que ele não era "ele", ou, desistir da busca incessante por aquilo que ela havia encontrado nele.

Porque ele não era 'ele".

E ela decidiu. Optou por desistir da sua busca, escolheu permanecer onde está, sem "ele", do que caminhar com alguém que não fosse o seu "ele".  E olhando nos olhos daquele que lhe havia prometido tanto amor, se despediu, dizendo a ele que ela, jamais poderia ser para ele, "ela" que ele merecia.

Então, ali mesmo, ela jurou para si jamais procurar o seu "ele", em outros eles.

domingo, 5 de março de 2017

Voe em paz







Como será viver em um mundo em que você não existe mais?
Eu sempre me fiz essa pergunta quando ainda não tinha notícias suas. Agora eu sei como é.
E eu posso dizer que é pior do que eu imaginava.
Dói pra cacete! Dói porque eu não sei como foi a sua partida, não sei se ainda estava sofrendo antes de ir e se ela foi a sua libertação, não sei se estava sozinho ou se alguém pelo menos lhe deu consolo nos últimos momentos. Dói porque eu sei o quanto o mundo foi cruel com você e o quanto você mesmo foi, você não soube jogar o jogo, não soube lidar com as frustrações que a vida causa, se perdeu e nunca mais se encontrou.
E como rezei para que se encontrasse. Como desejei que você encontrasse a tão esperada luz no fim do túnel. Como esperei para que você chegasse ao seu fundo do poço e tivesse forças para dar um impulso e então, retornasse à superfície.
Você já tinha conseguido uma vez. Eu tinha esperanças que conseguisse de novo.
Mas não aconteceu. Você se afogou.
Quer saber? O mundo é que não estava preparado para a sua ingenuidade e sensibilidade, eu conheci o seu melhor e o seu pior e é por isso que tenho tanta certeza de que você foi e sempre será alguém especial, o anjo de pele pálida e sorriso triste que me ensinou a amar.
Você me fez ser forte, me mostrou o quanto eu podia aguentar, mesmo quando eu acreditava que não.
Você me ensinou a ter fé. E mesmo agora que você não está mais aqui, eu me apego à essa fé porque preciso dela para acreditar que se ainda não está em um lugar melhor, um dia, em breve, estará.
Da pior maneira possível, você me ensinou uma das lições mais importantes da minha vida: a apreciar o hoje, a viver o só por hoje. Era o que acontecia nos dias em que você vencia as drogas ao invés delas vencerem você.
Eu só queria ter podido dizer que eu jamais me arrependi. Que apesar de toda dor, apesar de todo sofrimento, ter conhecido alguém com uma alma tão pura, foi uma honra.
Descanse em paz, anjo Gabriel. Que o Poder Superior o perdoe pelas as suas fraquezas e o receba de braços abertos.
Que você me perdoe por eu não ter tido forças os suficiente para continuar e saiba que não há nada que eu precise perdoar em você.
Eu conheci um anjo, e só por isso, digo que Valeu A Pena.


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domingo, 19 de fevereiro de 2017

Por mais frio na barriga, por favor!


Eu gosto de pessoas que sorriem sem medo, que quando sorri, a sua alma pode ser vista através dos seus olhos. Gosto de quem não tem medo de se mostrar para o mundo. Eu admiro e aplaudo aquele que se arrisca e que aceita os riscos de ser feliz.

Eu tenho tédio de gente medrosa, que se esconde atrás de suas próprias fraquezas, como se elas fossem algum tipo de pecado capital. Eu gosto mesmo é de quem tem coragem de mostrá-las ao mundo, de quem não se importa com o que esse mundo vai dizer sobre elas.

Mostrar ao mundo as nossas fraquezas, é um ato de coragem.

Me cansa, aquele que vive pela metade. Eu sou fã da intensidade e não saberia viver sendo somente metade de mim mesma. Sou do tipo que se joga. O "vamos deixar como está para ver como é que fica" não funciona comigo.

Se tiver que ver como vai ficar, que seja agora. Nesse momento.

Tenho preguiça de gente que se enche de autopiedade, que culpa o carteiro, o cachorro, a chuva (ou a falta dela), o carro, o celular, a secretária do dentista, o azedo do abacaxi, o amargo do jiló, mas, que é incapaz de ver que é o culpado por boa parte do que lhe acontece hoje.

Se quiser obter resultados diferentes, faça algo diferente.

Vivemos na era dos "jogos emocionais", onde tudo (para alguns) é conquistado a base dos tais jogos. "Eu não vou ligar para ele e assim, ele vai sentir saudades e vai me procurar". "Vou fingir que não me interesso por ela, e assim, a terei nas minhas mãos". "Quanto menos eu demonstrar, mais ele vai gamar". Me encanta quem não se submete a esse tipo de jogo. Quem tem coragem de ser e dizer. Quem se permite pagar mico, quem abre o seu coração como se estivesse escancarando as portas da varando de um quarto de hotel na beira da praia.  Eu gosto daqueles que se atravem.

Já dizia Charles Chaplin: O mundo pertence a quem se atreve. Alguém duvida? 

Não tenho paciência com quem esconde sentimentos, segura palavras, contém atos. Faz parte da felicidade nos entregarmos, nos permitimos sentir, nos jogarmos de cabeça naquela paixão maluca-insana-arrebatadora. Se você passar a vida toda se segurando com medo de sofrer, o mínimo que te acontecerá quando já não tiver mais tempo de se arriscar, é sofrer por ter tido medo de sofrer.

Seja você e pague para ver! 

Por sorrisos mais espôntaneos. Por pessoas sinceras. Por sentimentos verdadeiros. Por mais banhos de chuva. Por mais pés descalços. Por mais "Eu te amo" e menos "eu tenho medo de amar". Pela coragem de ser. E também deixar de ser. Pela audácia de amar. E sim, também pela coragem de se jogar. Por momentos felizes. Por mais momentos felizes.

Por mais frio na barriga, por favor.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Expectativas


Decididamente ela não domina a arte de não criar expectativas. Como poderia, se ela faz parte do clube das intensas? É mestre em se frustrar.

Ela entende perfeitamente o que Antonie de Saint-Exupéry quis dizer com a frase: "se tu vens às quatro, desde às três eu começo a ser feliz". Essa é ela, cultivando e adubando as expectativas, diria até que ela as coloca no colo e canta uma canção de ninar para elas, mesmo sabendo que muitas vezes, elas podem crescer e a devorar, como agora, ela criou um monstro, uma big expectativa e está prestes a ser engolida por ela, se aprendeu a lição?

Não, claro que não, na próxima oportunidade lá estará ela, cantando a canção novamente.

Ela é totalmente expectável, mesmo que essa palavra não exista. Ela é a pessoa mais suscetível às frustrações da face da Terra. Tudo porque ela teima em acreditar no inacreditável, sim, ela também é teimosa e um tanto quanto corajosa.

Ah... Se ela soubesse pelo menos não se frustrar consigo mesma por ser assim, tão vulnerável!

Mas o que seria dela sem as expectativas para se agarrar? Elas são a sua ruína e também a sua esperança, um paradoxo perfeito.

Fazer o que se ela acredita que quem não cria expectativas, também não vive? Entre se decepcionar ou deixar de curtir os pequenos momentos, ela fica com a segunda opção, ela escolhe o frio na barriga, a ansiedade gostosa, a decepção e frustração são apenas um preço, talvez grande, que ela paga algumas vezes por ser tão... tão otimista.



sábado, 11 de fevereiro de 2017

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Fio invisível









Akai Ito:



“Um fio invisível conecta os que estão destinados a conhecer-se, independentemente do tempo, lugar ou circunstância, o fio pode esticar ou emaranhar-se, mas nunca partirá.”







Uma antiga crença japonesa diz que os deuses amarram uma corda vermelha invisível, no momento do nascimento, nos tornozelos dos homens e mulheres que estão predestinados a ser alma gêmea. Deste modo, aconteça o que acontecer, passe o tempo que passar, essas duas pessoas que estiverem interligadas fatalmente irão se encontrar!


Acredita-se, que quanto mais longo for o fio, mais longe e tristes as pessoas destinadas estão e vice-versa… (Quanto mais curto for o fio, mais perto e mais felizes as pessoas destinadas estão). De acordo com a crença, não importa quantos relacionamentos tenhamos, pois só viveremos a “experiência do verdadeiro amor” com a pessoa que estiver na outra ponta do Fio Vermelho.

Lendas, não passam de lendas, algumas, a gente até torce para que sejam verdadeiras, outras, nem tanto. É o caso dessa, não consigo imaginar como seria a vida das pessoas se ela fosse real, quantos amores separados teriam que conviver com as impossibilidades sabendo que estavam conectados um ao outro para o todo sempre?

É uma linda história, mas somente enquanto é uma lenda.










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