terça-feira, 30 de outubro de 2018

Estupidez



Cérebro: O que foi dessa vez?

Coração: Nada, o de sempre...

Cérebro: Fez merda de novo, não foi?

Coração: Mas eu juro que tentei me segurar!

Cérebro: Tentar não é o suficiente, agora olha o resultado...

Coração: Eu sei, eu sei. Você tinha razão, eu vou aprender a ouvir você.

Cérebro: Você sabe o que tem que fazer, não sabe?

Coração: Sim, só preciso de mais tempo, não é tão fácil assim.

Cérebro: Leve o tempo que precisar, mas lembre-se que embora a dor seja sua, até eu que sou racional, a sinto, então, faça o que tem que ser feito e arrume essa bagunça pelo o nosso bem.

Coração: Pelo o nosso bem.

domingo, 28 de outubro de 2018

Something Stupid


Ela havia se esforçado tanto para não estragar tudo, queria que fosse a noite perfeita, pensou em cada detalhe para torná-la inesquecível, ela absorveu cada momento, cada sorriso, cada gesto e palavra e apreciou cada gargalhada que deram juntos. Parecia surreal, mas ao mesmo tempo, quando os dedos dele se entrelaçavam aos dela, ela tinha a certeza de que era real, eles estavam ali,  acontecendo, como tinha que ser.

Ela havia se esforçado muito para não estragar tudo, mas ela estragou. 

Todos os seus esforços se tornaram em vão quando no último minuto ela se permitiu dizer aquilo que jamais poderia dizer, ela havia lutado 
tantas vezes naquela noite, foram tantos momentos em que as palavras lhe subiram á garganta e ela as engoliu, ela só tinha que engolir uma última vez e tudo terminaria bem.

Mas então ela disse, e ela soube que ali, seria o início do fim.


quarta-feira, 5 de setembro de 2018

Branco e Preto



So Sorry - Feist - Spotify


Ela sempre acreditou que para muitas coisas da vida, ou eram pretas ou brancas, se o cara não dizia que amava a garota, é porque não sentia nada, se o namorado não elogiava, é porque não reparava, se o contatinho não ligava, é porque não sentia saudades, se o outro não pedia desculpas, é porque não se importava. Se não defendeu o amigo em uma briga, é porque era conivente, se não defendeu o colega de trabalho perante uma injustiça, é porque também era injusta. Ela não entendia que havia mais do que o sim ou o não.

Ou era ou não era. Ou sentia, ou não sentia.

Quando jovem, entrou em uma briga de rua para defender seu melhor amigo que estava brigando justamente para defendê-la, o cara com que ele brigava estava com um soco inglês na mão e seu amigo não viu, ela não se conformou que seus outros amigos e até a namorada do seu melhor amigo, não fossem fazer nada e não pensou duas vezes antes de entrar no meio dos dois para defendê-lo. Para ela ou era ou não era. Ela era amiga dele e não havia justificativas para não fazer aquilo.

Talvez porque para ela, era assim, ela dizia, fazia, sentia, ela era ou preto ou branco e sempre deixava os outros saberem qual cor era. 

Ela sempre defendeu a bandeira do “quem quer arruma um jeito”, acreditava que as coisas eram simples assim. Se fulano não fez tal coisa, é porque não quis de verdade. Ela não procurava motivos ou justificativas, apenas acreditava que na verdade ambos não existiam e seguia cega em sua visão simplificado das coisas.

Mas as coisas não são tão simples assim, são?

Ela percebeu que entre o branco e o preto há uma variedade enorme de cores, percebeu que às vezes, a falta de ação, a falta de palavras ou a falta de gestos, escondem motivos que os justifiquem e que ela apenas não podia saber ou simplesmente não enxergava. Ela mudou de opinião ao perceber que havia se tornado aquilo que ela julgava. Ela se calou quando deveria ter dito e ela sabe o porquê, mas com certeza quem esperava que ela não se calasse, não sabe, e talvez esteja pensando a mesma coisa que ela já muito pensou: se não fez, se não  disse, é porque não se importava.

Ela sabia que se jogaria na frente de uma bala por ele, mas deixou que ele fosse atingido por algo muito menor, porém, com o mesmo poder letal.

Ela sempre fora aquela que era decepcionada, hoje, ela foi a que decepciona.

Ela sempre teve orgulho de si por ser aquela que solta a voz quando todos calam, hoje, ela é a que se envergonha por ter calado, quando mais deveria falar, e o motivo? Ah... no fim das contas de que importa? 

Hoje ela aprendeu que há mais cores entre os simplistas branco e preto, mas que mesmo assim, o que importa são somente ambas, é somente o fez ou não fez, o disse ou não disse, porque mesmo havendo motivos, eles nunca sobrepõem a decepção.


domingo, 19 de agosto de 2018

Somos


Música: Quando Bate Aquela Saudade (Link)


Somos a continuação de uma história que não nasceu para ter fim. Somos o resultado de encontros e desencontros. Somos companheiros mesmo  quando estamos distantes, somos sentimentos, revelações, segredos, vontades, medos e superações.

Eu sou o seu desafio. E você me faz ir longe por ser o meu.

Somos pele, toque, arrepios e prazer. Somos palavras não ditas escondidas em nossos pensamentos, esperando pelo momento em que já não suportarão mais ficarem apenas guardadas para nós e explodirão para fora, como prova de tudo o que somos e representamos um ao outro.

Somos silêncio e barulho, caos e calmaria.

Somos segredos, confissões e desabafos. Somos olhares confusos, amedrontados, magoados, apaixonados.

Somos aquele casal que ainda vai ser. Somos mãos dadas em um parque de diversões, somos corpos em combustão nas frias madrugadas.

Somos reais um para o outro. Somos defeitos e qualidades, somos aceitação do melhor e o pior de cada um de nós.

Somos de outras vidas. Dessa vida. E das próximas também.

Somos chegadas e partidas. Uma história onde não tem fim, somente recomeços.

Somos almas, corpos e corações. Somos um, a peça que faltava para o quebra-cabeça do outro. Somos raio, trovão e um turbilhão e emoções contraditórias.

Você me faz não ter medo de ser eu mesma e eu amo quando você é você mesmo.

Somos possibilidades na presença de coragem e impossibilidades na ausência dela.

Somos fogos de artifício explodindo dentro da gente.

Somos completamente diferentes, astrologicamente incompatíveis e mesmo assim, somos os opostos perfeitos. Não há no mundo alguém que me complete tanto quanto você.

Somos o que temos que ser.

Quando temos que ser

segunda-feira, 16 de julho de 2018

3.4!





3.4!
Como eu amo fazer aniversário! Talvez seja porque eu realmente acredito que aniversariar é como começar um novo ano. Para ser sincera, esse meu ano que se encerrou foi tão maravilhoso que eu nem deveria estar ansiosa pelo o que está começando hoje, mas eu acredito nas novas possibilidades e se esse o que está encerrando foi magnífico, o que está começando poderá ser melhor ainda.

3.4!

Tantas coisas a agradecer, tantas conquistas e pequenas vitórias. Que bom que tenho pouco a pedir.

3.4!

Hoje, mais madura do que há poucos anos, eu me aceito como sou, aceito a minha visão exageradamente romântica do mundo e das pessoas, aceito ser 99% emotiva e apenas 1% racional, mesmo que isso me traga decepções às vezes; aceito meu jeito dramático e até birrento de ser. Aceito pegar para mim as dores do mundo e tentar transformar em amor, tudo o que não é. Me aceito como eu sou, mesmo querendo mudar de vez em quando.

3.4!

O que esperar desse novo ano, depois de um ano tão maravilhoso que começou com a chegada dos meus 33 na Bahia, passou pela a festa de casamento dos sonhos, a viagem de lua de mel prefeita para o Chile e terminou em Monte Verde com um final de semana indescritível ao lado de amigos?

Há quem diga que sou uma pessoa de sorte. Não me importo que digam, porque dizer que tenho sorte é um elogio, porém, cada uma das minhas pequenas e grandes conquistas, devem ser atribuídas às minhas escolhas, ao fato de eu ser fiel ao que eu quero para a minha vida, fiel à minha filosofia de “Colecione momentos e não coisas”; fiel até mesmo aos meus medos, aqueles que já me impediram de fazer loucuras e os que me impulsionaram a fazer as melhores delas.

3.4!

Fazendo um balanço da minha vida, afinal, trabalho na controladoria, eu vejo o quanto sou afortunada, fazendo uma retrospectiva, afinal, canceriana vive de lembranças, eu sei que na balança da vida, que nem sempre foi fácil para mim, eu tenho muito mais motivos para agradecer do que para lamentar.

Não nasci em berço de ouro, tive uma infância simples, mas feliz. Os perrengues que já passamos, só Deus sabe. Sobrevivi à queda de um elevador do sétimo andar onde segundo os bombeiros, deveria ser fatal do terceiro. Mudei para o interior e vi minha vida sendo virada de cabeça para baixo. Adaptei-me. Amadureci. Escolhi ser psicóloga e no mesmo ano em que comecei a faculdade, vi meu então namorado se afundar no mundo das drogas. Carreguei a minha própria nuvem de chuva e desci ao inferno para tentar ajudá-lo. Adoeci. Tornei-me codependente. Paguei dívida em casa de traficante. Cheguei aos 38 quilos.

Sobrevivi.

Renasci.

Conheci meu marido.

Escrevi meu primeiro livro, sobre a minha jornada ao lado de um dependente químico, criei meu primeiro blog, e ao mesmo tempo que passei a ajudar pessoas que estavam passando pelo o que passei, entrei em recuperação da minha codependência.



Dei a minha primeira entrevista para o jornal O Estado de São Paulo. E também em um programa de rádio e outro de TV.

Chegou nossa Victória.

Quase a perdemos por duas vezes, mas ela chama-se Victória. E venceu.

Foram quase 10 anos sem tomar Coca Cola. Uma promessa que valeu a pena.

Começamos a fazer nossas escolhas. Começamos a colecionar mais e mais momentos ao invés de coisas. Vieram as primeiras viagens:

Socorro. Um hotel fazenda que nos fez sentir o primeiro gosto de como é maravilhoso conhecer novos lugares.

Serra Negra: O primeiro grande contato da minha filha com a natureza e os animais.

Balneário Camboriú - Beto Carreiro: diversão e beleza. Meu primeiro voo de avião.

Angra dos Reis e Paraty : a nossa primeira roadtrip, conhecemos o paraíso chamado Ilha Grande, nos apaixonamos por Paraty e mais ainda por Trindade.

Gramado/ Canela e Cambará do Sul: Nossa segunda roadtrip, dois mil quilômetros rodados em sete dias. A viagem perfeita.

Orlando: a viagem dos sonhos. Chorei ao abraçar o Mickey e enfrentei o meu maior medo ao despencar da Hollywood Tower. Sobrevivi a ele.

Bahia: a terceira roadtrip. Mais de 3 mil quilômetros rodados em sete dias intensos e incríveis. Me apaixonei pelo Nordeste.

Chile: O cenário perfeito. Curti cada momento, cada segundo, cada passo.

Monte Verde: frio, glamour e aventura. Como não amar?

3.4!

34 anos de escolhas..:

Eu adoraria ter uma daquelas máquinas de lavar que a tampa é embaixo e redonda, mas escolhi manter a Brastemp que ganhei da minha mãe há mais de doze anos, adoraria ter uma geladeira de inox que só falta dançar can can, mas escolhi continuar com a que minha avó e meu irmão me deram há algum tempo. Adoraria trocar de fogão e ter um para combinar com a tal geladeira de inox, mas escolhi continuar com o Dako que minha sogra deu também há algum tempo. Gostaria de modular a cozinha e também o meu quarto, mas escolhi trocar apenas a nossa cama por uma box.

Escolhas... escolhemos viajar sempre que possível ao invés do resto. Esse é o nosso “segredo” apenas esse.

Escolhemos viver e não ter.

Escolhemos ser e não ter.

Alguns não precisam escolher porque podem ter ambos. Outros, infelizmente nem podem escolher, e nós que um dia já não pudemos escolher, hoje, apenas escolhemos viajar ao invés de ter.

3.4. Eu diria que realmente a história da minha vida, é baseada em colecionar momentos.

3.4!

Tanto a agradecer.

Talvez, nada a pedir.


"Há quem diga que somos o resultado de todos os momentos que vivemos. Eu acredito nessa teoria. A intensidade de certos momentos é capaz de alterar completamente o rumo das nossas vidas, e então, acabamos sendo definidos por esses pequenos momentos. Momentos reais, momentos de alegria, momentos de dor e lágrimas. Momentos..." (Manuela - Momento Errado)

quinta-feira, 5 de julho de 2018

Sobre as coisas que ainda quero aprender





Há tantas coisas nesse mundo que eu gostaria de saber. Tantas coisas sobre o mundo que ainda me intrigam, como por exemplo, como um avião gigante consegue voar? Ou ainda, por que há pessoas tão ricas e outras que não possuem nem água para beber? Eu queria entender mais sobre política e também religião. Queria entender porque suas ações dizem uma coisa e seus olhos outra e ainda, porque não consigo me livrar deles quando você me olha, porque me sinto tão ligada a você quando estamos frente a frente e tão solitária quando não?

Queria entender um pouco sobre mecânica e também falar francês. Queria saber o que você pensa quando me olha daquele jeito, o jeito que me faz de iô-iô entre o céu e o abismo.

Queria compreender mais sobre metafísica e física quântica, compreender melhor sobre as leis da vida, aquelas que escola não ensina e também conseguir compreender seu olhar tão bem quanto você compreende o meu sorriso de nervoso.

Queria entender as suas emoções. Queria saber desligar as minhas. 

Queria aprender sobre astronomia e também entender porque você consegue me ler tão bem como se eu fosse uma revista enquanto que para mim, muitas vezes, você é um espaço em branco. 

Queria ter respostas. Queria não ter dúvidas. 

segunda-feira, 11 de junho de 2018

Aprendi, estou aprendendo e vou aprender




  1. Blank Space - Stand By Me


Eu aprendi a silenciar mesmo quando quero falar. Aprendi a respeitar o silêncio do outro mesmo quando tudo o que mais quero, é ouvir a sua voz. Percebi que não posso impor a minha presença só porque gosto de alguém. Cada um tem o seu tempo e a sua forma de agir e reagir, eu não posso esperar uma determinada atitude de alguém só porque essa seria a atitude que eu teria.

Aprendi que a gente pode amar e odiar a mesma coisa com a mesma intensidade. Que o mesmo dia pode ser o melhor da sua vida por vários motivos e também o pior por um único motivo.

Aprendi que não devo me desculpar por ser intensa demais, o mundo já está cheio de pessoas mais ou menos, mesmo quando dói, mesmo quando essa intensidade me faz querer chorar e me obriga a não chorar, ela ainda tem que ser motivo de orgulho e não vergonha.

Aprendi que não há nada de errado em me importar, que querer saber sobre como foi o dia de alguém não é exagero, mas quando esse mesmo alguém não se importa, é hora de se questionar.

Eu estou aprendendo a manter distância mesmo quando o que quero, é estar presente. Estou aprendendo a deixar ir enquanto fico aqui, meio que de prontidão, caso o outro queira voltar.

Estou aprendendo a criar as minha próprias barreiras, não para me separar e me isolar, mas percebi que eu não tinha defesas, aprendi que barreiras são um meio eficaz de nos proteger daquilo que mais pode nos ferir: alguém que a gente gosta de verdade.

Estou aprendendo a ficar quietinha sem me importar se vão me notar. Meus sentimentos não vão mudar só porque deixei de falar.

Estou aprendendo que quanto mais você grita para o mundo que esqueceu, mais você lembra e que quanto menos você gritar, mais facilmente esquecerá.

Estou aprendendo que dizer tchau é um troço chato pra caramba, principalmente quando a gente tem que dizer mesmo sem querer, quando a gente tem que dizer pelo outro, que parece não ter coragem de fazer.

Ainda preciso aprender que o mundo está cheio de corajosos, que se orgulham de serem desbravadores, mas que morrem de medo do amor.

E de amar.



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