domingo, 16 de fevereiro de 2014

E de que adianta enterrar se o cemitério está nela?

[ Leia ao som de Impossível ] 

Enquanto Biquini Cavadão canta Impossível ao fundo, ela vive uma sessão nostalgia presa em seu próprio e suspenso mundo. Já fazia algum tempo que ela não tinha essa recaída por ele, em queda livre, diga-se de passagem. Relendo algumas mensagens trocadas e e-mails respondidos, ela se depara com uma frase dele: " um dia você vai superar, você vai ficar bem". Deus, só ela sabe o quanto ela odiou ler aquilo há meses atrás. Tem frase menos consoladora do que essa? Quem, na face da terra acredita que realmente essa frase de efeito clichê é capaz de trazer conforto para quem está sentindo dor, aquele tipo de dor que analgésico algum é capaz de curar?

Ela retorce os lábios e sente quase o mesmo ódio que sentiu quando leu a tal frase pela primeira vez, dessa vez, nem foi tanto ódio dele, mas sim por não ter acontecido como ele disse que iria acontecer. Já deveria ter acontecido. Ela já deveria ter superado. Ela deveria agora, estar buscando boca nova para beijar e alguma outra mão macia para acariciá-la, mas, ela ainda se sente presa a ele, mesmo sabendo que os olhos dele já não a procuram mais.

Movida pela frustração, ela clica em "apagar e-mail" e como já era esperado, após alguns minutos olhando para a tela, ela clica em "cancelar". Agora, o ódio é por não ter acontecido, por ela não ter superado e também por ser fraca demais até para apagar um simples e-mail datado de tempos atrás. São tantas lembranças que ela foi obrigada a encaixotar e enterrar que às vezes, ela se pergunta se sobrará espaço para mais alguma frustração ao longo da sua vida, definitivamente, ela não sabe se suportará mais alguma agulhada em seu pequeno e agora pouco saltitante coração.

Quando o fim aconteceu, ela buscou forças dentro de si mesma para conseguir cavar o buraco para enterrá-lo, foram momentos de dor, a cada pá de lembranças que ela enterrava, lágrimas de saudades lhe escorriam a face e mesmo doendo, ela conseguiu, após algum tempo, jogar a última pá de lembranças sobre os seus sentimentos e enterrá-lo de vez, o que ela não percebeu é que de que adianta enterrar, se o cemitério está nela?

Ela ainda o sentirá forte e presente em sua vida, como uma lembrança gostosa e ao mesmo tempo amarga, como algo que não acabou, mesmo tendo acabado, porque o que ela sentiu, foi real demais para ser esquecido e sentimentos como esses, permanecem vivos, mesmo estando enterrados.


sábado, 15 de fevereiro de 2014

Passeando pelo tempo

Há quem diz que a vida aqui nesse mundo, é apenas uma passagem para o próximo, mas, e aí, devemos por causa disso, apenas viver, esperando pela próxima vida? Seria correto, apenas passarmos por ela? Oh, não, eu não acredito que seja,  não seria, de forma alguma, justo com o Universo, com o Criador, que nós apenas vivêssemos esperando pelo o amanhã melhor.

Esse amanhã melhor tem que ser hoje, porque se não, ele nunca será.

E se pudêssemos, como no filme "Questão de tempo", voltarmos ao passado? Teríamos nós, a coragem de revivermos os momentos de dor, de tristeza, de frustrações e decepções, uma vez que, são esses momentos que nos fazem crescer e sermos fortes, ou, optaríamos por apenas revivermos os bons momentos, os de alegria, de sorrisos, passeios e vitórias? Conseguiríamos reviver aquela decepção amorosa novamente? Aquela que nos fez ter a sensação de que o mundo perdeu o sentido e nada mais parecia ser importante a não ser aquela pessoa que ironicamente foi a causadora da nossa dor. Ou iríamos apenas reviver o momento em que nossos olhares se cruzaram pela primeira vez e o mundo pareceu sair de órbita, dando sentido a toda a a nossa existência? Escolheríamos passarmos novamente pela frustração de não sermos aprovados na primeira fase do vestibular da faculdade mais concorrida do planeta, ou de sermos reprovados naquela importante entrevista de emprego? Ou, iríamos escolher viver novamente a sensação gostosa da aprovação?

E quanto a dor da perda? Alguém, será que escolheria viver novamente o dia em que perdeu alguém querido? E se, nesse mesmo dia de dor, foi também o dia mais feliz da sua vida, como por exemplo, antes dessa perda, você e esse alguém reataram laços minutos antes da partida, ou, apenas foram sinceros um com o outro como nunca haviam sidos antes, dizendo o amor que sentiam, alguém estaria disposto a reviver a dor da ausência para poder sentir um pouco antes, a alegria plena?

E se pudêssemos, viver duas vezes o mesmo dia? Na primeira, seria o dia normal, onde iríamos nos estressar, chatear, sorrir, ficar apreensivos, ter medo, relaxar e na segunda, por já termos vivido ele, poderíamos aproveitar tudo, sabendo que esse tudo, seja bom ou ruim, vai passar. Talvez, tudo o que sofremos na primeira vez do dia, se transformasse em algo pequeno quando o vivêssemos pela segunda vez.

Mas, nós não podemos, nem passear pelo tempo, nem revivermos o mesmo dia mais uma vez, e há um motivo para isso: Nós só somos quem somos e o que somos, devido a tudo o que vivemos e quem fomos nos dias anteriores. Cada erro e cada acerto, foram e são essenciais para essa pessoa que nos tornamos, agora, nesse momento, hoje. O que nos resta, é agradecermos por cada sorriso dado e também por cada lágrima derramada, elas fizeram com certeza os sorrisos que vieram depois, terem mais valor e sentido. O que nos resta, é sermos gratos por cada conquista que tivemos, mas, agradecermos também as derrotas que nos fizeram cair e nos impulsionaram a recomeçar. O que nos resta, é vivermos o hoje e não apenas passarmos pelo o hoje.

Por dias mais intensos em nossas vidas, onde sejamos capazes de agradecer uma gentileza na rua, observar a beleza ao nosso redor, ouvir o som dos pássaros pela manhã sem nos irritarmos, sorrirmos com o sorriso de uma criança e sermos fortes com os testes que a vida precisa nos fazer passar.

Porque o que nos resta, é vivermos o hoje e nada pode ser melhor do que o hoje!

domingo, 2 de fevereiro de 2014

O que eu quero dizer...

E foi lendo um poema do Leminski que a ficha parece ter caído, foi como se ele, quando o escreveu, tivesse escrito para mim, quando ele diz: "O que quer dizer, diz. Não fica fazendo o que, um dia, eu sempre fiz." Ele está sim, dizendo isso para mim e bem, você me conhece bem, não é mesmo? Você sabe que eu levo meio a sério esse negócio do destino, você sabe que eu acredito que há por aí, uma força cósmica maior do que tudo e que essa força nos rege, nos move, nos para, nos segura, nos incentiva e também nos retém. Então, talvez, tenha sido essa mega força cósmica que me fez ler esse poema e me fez de uma vez por todas, dizer o que eu sempre quis.

Leminski diz que, só dizendo num outro o que, um dia, se disse, um dia vai ser feliz. Pois é, eu tô cansada de cultivar essa dor e acho que esse é o dia. Na verdade, esse dia já devia ter acontecido, desde o dia em que vi em seus olhos e ouvi em seu silêncio tudo aquilo o que eu não estava pronta para ver e ouvir. A sua fala do papo incrível, sexo ótimo e vontades parecidas, era nada mais do que você dizendo adeus a tudo o que nós possivelmente poderíamos ser. Eu sei, você não é de se aprofundar. Agora eu sei. No começo, eu pensava que era apenas você se escondendo de você mesmo, tentando fingir nada sentir porque eu acreditava que esse mundo de gostar era um pouco estranho para você, mas, eu errei, você sempre falou a verdade e eu é quem arranjei uma desculpa para a sua verdade. Você não é de se aprofundar, não porque tem medo de fazê-lo, mas, sim porque esse é você, o cara que se cansa fácil das coisas, pessoas, experiências.

No fim, eu percebi que contei uma grande mentira pra mim mesma, quando eu dizia que você tentava ser na verdade, uma pessoa que não era, eu mentia pra mim, dizendo que você no fundo era o oposto do que se mostrava pra mim, que essa casca, era na verdade o seu medo camuflado. Quão tola eu fui, você sempre foi real e eu é que não percebi que o seu real, era o oposto do que eu achava que era, eu lhe criei uma fantasia de príncipe, um príncipe que você nunca propositalmente quis ser.

Então, agora, eu digo, éramos bons, mas, não um para o outro.

domingo, 26 de janeiro de 2014

É que às vezes, o pouco é tão melhor do que o nada, que faz parecer tudo.


Quando você foi embora, levou com você um pedaço único e irrecuperável de mim. Mas, deixou também, um pedaço de você e é nesse pedaço pequeno que eu me agarrei para seguir em frente, desviando desse aperto absurdo que de vez em sempre faz o meu coração sentir. Você meio que levou um pedaço do meu sorriso, aquele sorriso abobado que eu dava sozinha enquanto suspirava pensando em você e, em troca, você deixou parte da lembrança boa de ver o seu sorriso se abrindo pra mim quando estava prestes a me beijar.

Depois que você foi embora, eu passo os dias olhando aquela pilha de livros de romance que me fazem chorar litros e pensando que eu não mais preciso deles, eu tenho agora o meu próprio drama para viver. E superar. Sabe aquelas músicas que eu ouvia e você achava um pouco estranhas? Então, acho que adquiri a discografia completa de tudo o que é rock-indie-alternativo, pode parecer estranho, mas, parece que quando as ouço, fico mais perto de você, porque quase consigo ouvir você rindo do meu gosto "diferente" para música.

É... Eu sempre fui assim, com gostos diferente para lugares, músicas, histórias e pessoas.

Eu sinto falta de você de uma forma que não posso admitir sentir. Falta das nossas conversas malucas e quase metafísicas sobre o universo, os propósitos dele, sobre a vida. Sobre nós, ou melhor, sobre você. Eu fico aqui me perguntando se você sente alguma, mesmo que pequena, falta de mim. Se me faço presente na sua vida em algum momento dela, mesmo sabendo que eu não posso e não devo me contentar com algo tão pouco assim, mas é que às vezes, o pouco é tão melhor do que o nada, que faz parecer tudo.

Agora, que você me deixou, janeiro virou inverno, o dia virou noite e o sonho, pesadelo. Agora que você me deixou, eu sinto saudades até do que nós nunca vivemos, saudades da ideia do que poderíamos ter vivido juntos.

E por falar em juntos, agora que estamos separados, vez ou nunca, eu me dou o direito de pensar em estar com outra pessoa e odeio pensar que provavelmente não terei com essa pessoa a mesma sintonia que tive com você, certamente ele, seja lá quem ele for, não será capaz de fazer sexo com amor e ainda falar a respeito como você fazia. Terei sorte se eu for capaz de confiar nele como confiei em você, em seus olhos, em seu beijo suave e quente ao mesmo tempo, em suas mãos lisas que sempre teve acesso livre ao meu corpo.

Já que você me deixou, eu estou aqui, como uma criancinha em um playground, sentada em uma gangorra à espera de alguém para vir, se sentar do outro lado do brinquedo e me fazer ir às alturas como um dia, você me fez.

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Porque quando ela sorri, a sua dor é esquecida.


Ela é linda de uma forma única e singular. De personalidade forte, indecisa, brincalhona e também mandona. Ama música e nela, viaja para outros lugares que às vezes, fica difícil trazê-la de volta. E ela é espontânea.

O sorriso dela é como aquelas barreiras de contenção que tentam impedir que o rio ultrapasse os limites da cidade e transborde destruindo e levando tudo consigo. Sim, o sorriso dela é o seu escudo, a sua muralha, e a sua proteção.

Enquanto ela sorri e solta uma frenética e gostosa risada, ninguém imagina o que ela esconde. Diz a lenda que as pessoas que mais sorriem são as que mais escondem as suas dores. Que bela frase. Poderia não ser verdadeira, poderia ser apenas uma frase de efeito, mas, não é. E ela, é a prova de que não é. Ela tem uma facilidade imensa de sorrir enquanto sufoca o grito de dor em sua garganta. São tantos gritos sufocados, tantas emoções implorando para serem libertas que eu me pergunto às vezes, quantos sorrisos mais ela ainda é capaz de dar sem desmoronar? 

Muitos.

Ela adquiriu essa espécie de "dom" e bem sabemos que "dom", não se perde. Ela soube encontrar em todos os motivos que teve para chorar, força para sorrir e talvez, um dia, ela consiga encontrar também, força para chorar. Porque ela precisa verdadeiramente encontrar um motivo para simplesmente chorar.

Ela encanta e faz todos ao seu redor, com ela sorrir, não há quem consiga passar alguns minutos ao seu lado e não esboçar um sorriso que seja, uma risada apenas. Não, não tem como, porque essa garota de longos cabelos dourados, possui dentro de si a mais pura e bela das virtudes, a de sorrir. Ela traz alegria consigo, mesmo quando não acredita ter assim tantos motivos para ser feliz, ela faz o seu melhor. Ela não grita por socorro, não dá murros em paredes, talvez com suas luvas de boxes, ela dê murros nos sacos de areia, mas, ninguém sabe o quanto ela sofre no silêncio da noite, com a cabeça em seu travesseiro e a claridade da luz sobre si. 

Essa é ela. Esse é o sorriso dela. Porque quando ela sorri, a sua dor é esquecida e eu aprendi com ela que sorrir, é o melhor remédio.

sábado, 11 de janeiro de 2014

Momento Errado - Resenha



Manuela e Leonel colidem nas escadas da faculdade, dando início a uma grande e diferente amizade. Ele faz pós graduação em Marketing e tem planos de se mudar para o exterior em pouco tempo. Ela está no sexto semestre de publicidade e propaganda e estagia em uma das maiores agências da cidade.

Aos poucos, eles vão se conhecendo e se mostrando um para o outro como são de verdade.

Entre horas de conversa pela internet e banho de banheiro no motel, eles compartilham sonhos, dividem desejos e conversam até sobre crenças e religião,

Ele faz o tipo "não sou bom em relacionamentos" e para se defender de possíveis frustrações, construiu o que ela chama de 'Muralha da China" ao seu redor.

Ela tenta de todas as formas resistir ao jeito confuso dele, luta contra seus sentimentos mais puros e também mais escuros na tentativa de não se deixar levar pelos olhos caramelos dele.

Ele é cheio de metas. Ela, vive em dois mundos, entre a vida real e o mundo fantástico. Ele está no 3.0 e ainda busca sentido para a sua vida. Ela, apenas vive, sem se preocupar com o sentido. Ele é prático e lógico. Ela é dramaticamente romântica e sonhadora. Ele segura as palavras e controla sentimentos. Ela é intensa, não suporta fingir não sentir.

Ele quer conhecer o mundo. Ela fez dele, o mundo dela.

Ele consegue ver a alma dela através dos seus olhos. Ela consegue ver nele tudo aquilo que ele teme demonstrar. E apesar de todas as diferenças, eles descobrem que tem muitas coisas em comum, descobrem sonhos parecidos, gostos semelhantes e vontades similares.

Ele diz que ela é a pessoa certa, só que na hora errada. E é quando ela então, passa a questionar se realmente existe a hora certa.

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Das perguntas que quero fazer

[ Leia ao som de Western Haunts - It´s Not Enough clicando aqui]

Oi.
Eu preciso da sua ajuda.
Sabe, tenho um amigo, por assim dizer, um amigo com quem eu costumava conversar bastante, não sobre mim, porque foram as poucas as vezes que fizemos isso, conversávamos sobre ele. Era assim, sempre sobre ele, porque quanto mais ele falava sobre ele, mais "real e humano" ele parecia ser. Aí, então... De repente (como se o de repente existisse) eu comecei a sentir falta disso. Talvez, ele não saiba que me faz bem falar com ele. Sobre ele. Eu já até disse a ele que ele foi o meu objeto de estudo. E foi. Estudei bastante. Cada atitude dele.

O seu humor confuso e bipolar, já nem me confundia mais. Eu disse a ele que havia me tornado PhD. Nele. Me tornei. Afinal, amigos se tornam especialistas em identificar o humor do outro, certo? Sei lá... Acho que sim. Ou, talvez não. Eu só sei que nessa história de de repente, eu tô sentindo falta desse meu amigo. Tenho umas várias perguntas para fazer para ele, pularia até aquelas mais clichês do tipo: "Como você está" ou " Está feliz". Eu iria mesmo é direto ao ponto, para as perguntas das conversas começadas e não terminadas. Iria me sentir como uma jornalista, por causa das várias perguntas. 

Não que eu fosse fazer uma matéria para a Caras, se fosse uma matéria, seria na verdade para a Superinteressante. Mas, as perguntas que tenho para fazer, não dariam uma matéria, são perguntas corriqueiras, sabe? Sobre o dia a dia desse amigo, perguntas banais. Queria aproveitas a tal ideia da virada do ano que sempre nos motiva a fazer novos planos e perguntar a ele quais são os planos e metas dele para esse novo ano, perguntar qual é a previsão astrológica para o signo dele, como seu eu já não tivesse lido...

Essa e tantas outras perguntas eu faria, mas, esse amigo anda meio sumido, viajando por algum espaço intergalático, fazendo algo no mínimo mais interessante do que conversar com a amiga dele, que está aqui, querendo conversar. 

Não sobre ela, é claro.

Então, me diz, você como meu amigo, o que acha que eu devo fazer?

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